Dr. Jaime AngerDR. JAIME ANGEREnglish                        Home-Page


HEMANGIOMA

Mulliken em 1988, ao classificar as Anomalias Vasculares Congênitas, separou as que são resultantes de anomalias de formação, nas quais ocorre a proliferação de vasos., fístulas ou dilatações (Alterações Vasculares Congênitas),  das que apresentam como característica principal a  multiplicação de células endoteliais, e que foram  denominados de Hemangiomas.

Os Hemangiomas apresentam características biológicas específicas. Geralmente aparecem alguns dias após o nascimento, proliferam até os 12 a 18 meses de vida e, em 95% dos casos, sofrem um processo de regressão que pode ser rápido ou prolongar-se até os 10 anos de idade.

 

As Alterações Vasculares Congênitas apresentam-se ao nascimento, podem aumentar de tamanho com a idade, geralmente acompanhando as dimensões da criança e dificilmente regridem. Podem ser de origem venosa, arterial ou  linfática.

 

A maioria dos Hemangiomas são de pequenas dimensões e não apresentam repercussão clínica. Alguns destes tumores, mesmo pequenos, podem provocar complicações como no caso dos Hemangiomas de pálpebras, ao impedir a visão e resultar em ambliopia, ou ainda na região subglótica ao provocar obstrução respiratória. Tumores de maiores dimensões podem  invadir diversos tecidos resultando em complicações importantes com a destruição e a perda da função, nestes casos  mesmo que ocorra a sua regressão, podem ocasionar seqüelas graves e definitivas.

As Anomalias Vasculares Congênitas e os Hemangiomas podem ser múltiplos e podem estar associados a síndromes. As síndromes mais conhecidas são a de Sturge-Weber, quando há o acometimento do tecido cerebral. A de Klippel-Trenaunay, quando as lesões vasculares de membros estão associadas a invasão de tecido ósseo e a de Kasabach-Merritt, em que ocorre uma alteração dos fatores de coagulação com trombocitopenia.

O diagnóstico diferencial das lesões vasculares congênitas é primordial. O aspecto dos Hemangiomas é caracterizado por uma tumoração avermelhada, que é semelhante à superfície de um morango ou amora. Na fase de regressão apresentam ulcerações e seqüelas cicatriciais na sua área central.

As lesões que mais freqüentemente são confundidas com Hemangiomas são as lesões planas e uniformes, em geral com cor vermelho escura que lembra o vinho tinto e que são Anomalias Vasculares Congênitas com proliferação de capilares venosos sem a  multiplicação anômala de células endotelias. Estas manchas raramente regridem e as suas dimensões não se alteram com a idade. O tratamento atual mais efetivo é o uso de energia de luz (laser e/ou fotodremólise)

Alguns exames complementares podem ajudar no diagnóstico. Um dos mais importantes é a ressonância magnética com contraste e supressão de gordura. O padrão vascular com a presença de lagos venosos, fístulas artério-venosas,  proliferação de vasos e alto fluxo é mais indicativo de Alteração Vascular Congênita. Padrões mais homogêneos sem predominância de vasos é sugestivo de Hemangioma.

A conduta nos Hemangiomas, visto que a maioria desaparece espontaneamente, é a observação. Na pele, algumas outras medidas podem ser adotadas, como a compressão com placas de gel ou silicone, infiltração intralesional de corticóides  ou até a ressecção cirúrgica em determinadas localizações.

A ação do corticóide não é constante, existem receptores nas células endotelias que são sensíveis aos corticóides mas só obtém resultado em 40% dos casos. As infiltrações podem ocasionar a atrofia dos tecidos adjacentes, o que   dá a falsa impressão de efetividade na diminuição do volume do tumor.

A betaterapia com a finalidade de inibir o crescimento endotelial e destruir os capilares foi utilizada no passado com bons resultados, entretanto pode resultar em seqüelas cicatriciais  e não está esclarecida a isenção de prejuízos provenientes do uso da radiação.

A escleroterapia pode ser utilizada mas deve ser evitada na face, em especial nas pálpebras, devido a migração e a possibilidade de lesão de vasos importantes.

A ressecção cirúrgica deve ser limitada aos Hemangiomas de pequenas dimensões que crescem com rapidez sugerindo a possibilidade de complicações. Casos em que o peso e as dimensões de tumores maiores  estão ocasionando deformações anatômicas pode-se indicar a ressecção total ou parcial com a finalidade de evitar transtornos definitivos de contorno corporal.

A embolização arterial seletiva pode ser empregada em casos especiais em a vascularização do tumor está limitada a uma ou duas artérias definidas ou em casos quer serão submetidos à ressecção mas que é necessária uma diminuição de fluxo e de volume  a fim de facilitar o ato cirúrgico. Nestes casos a cirurgia tem que ser realizada em até 3 dias após a embolização. Além deste prazo ocorre uma revascularização e a formação de circulação colateral.

O crescimento dos Hemangiomas depende angiogênese, ou seja a formação de novos vasos sangüíneos. Ao estudar este mecanismo,  diversos autores identificaram fatores que estimulam ou inibem este processo.  Foram identificadas substâncias que estimulam diretamente a migração, a proliferação e a diferenciação de células endoteliais. Outras agem indiretamente mobilizando macrófagos e fibroblastos. Em situações de normalidade o organismo regula a proliferação de capilares por fatores que inibem a angiogênese. Um dos fatores mais conhecidos são os esteróides, em especial a tetrahydrocortisol, o que explica a ação dos corticóides. Mais recentemente foi demonstrado que o Interferon alpha 2 inibe a migração e a proliferação das células endoteliais.

Nos Hemangiomas de crescimento rápido com complicações graves está indicado o uso de dexametasona por via oral em dose de 3mg/kg/dia por períodos curtos. Conforme relatos publicados  ocorre uma resposta favorável em menos de 40% dos casos.

Nos pacientes portadores de Hemangiomas com complicações que colocam em risco a sua vida e que esgotaram-se as outras possibilidades de tratamento, pode ser empregado o  Interferon alpha 2. A dose inicial nas crianças  é de 3 milhões de unidades/dia administradas em dose única diária por via subcutânea.  Nos primeiros dias de tratamento é aconselhável manter o paciente em ambiente hospitalar, devido aos efeitos colaterais. Ocorre uma queda de número de leucócitos que se recupera após a primeira semana, anorexia e também ânsia de vômito que melhora com a administração de acetominophen.

A regressão dos tumores com o uso do Interferon é bastante evidente e rápida, mesmo assim é necessária a sua manutenção por temos prolongados, pelo menos até  ultrapassar a faixa etária em que ocorre um maior crescimento dos  Hemangiomas, que está situada  ao redor dos 12 a 18 meses de vida. A retirada abrupta desta medicação pode resultar em efeito rebote, por esta razão aconselhamos uma retirada gradual e sistemática.  O Interferon é atualmente o tratamento mais promissor do Hemangioma, entretanto não são ainda totalmente conhecidos os efeitos colaterais de seu uso prolongado e ainda não estão definidas as doses ideais de tratamento.

Maiores dúvidas entre em contato conosco.

Dr. Jaime Anger - Grupo Especial de Atendimento aos Hemangiomas: Clínica de Especialidades Pediátricas do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo - tel: (11) 3747-2255

Consultório: (11) 3887-8524  São Paulo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 
1.
      Anger J, Goldemberg NF, Pinus J,  Faiwichow G - Tratamento de hemangioma extenso com interferon alfa-2A. Pediatria Mo­derna. 1994, 30(6):932-40.

2.      Anger J, Gomes VA, Gonçalves ME, Pinus J, Faiwichow G. O tratamento de hemangiomas complicados com Interferon alfa-2 A . Arq Cient. 1997; 2:3-6.

3.      Anger J. et al.  The rebound effect in the treatment of complex hemangioma with interferon alpha  2A.  Rev Paul Med. 1988, 116(5):1826-8.

 

Hit Counter

2782 até 21/04/2005

Última atualização: 14/04/2006

Dr. Jaime Anger
Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 3889
Cep 01401-001
Jardim Paulista
São Paulo, SP

Tel:  (011) 3 887-8524
Fax:  E-mail para o Dr. Jaime


Feita por WebMed (e-mail)  
Desenvolvimento de Home Pages
http://webmed.home.ml.org